domingo, 26 de maio de 2013

Onde Jesus foi sepultado?

Tumba do Jardim, descoberta no século XIX
por Liszt Rangel
Quando se trata de sondar os mistérios que envolvem a morte de Jesus, qualquer pesquisador terá que responder a uma difícil pergunta: Onde ele teria sido sepultado?

Para responder a esta questão, será preciso que lancemos mão dos fatores históricos que enredam a paixão de Cristo, bem como do surgimento da Teologia Cristã, cuja base foi sedimentada na extraordinária crença na ressurreição. Não repetirei a abordagem feita nos artigos anteriores, intitulados "Paixão de Cristo - Tem uma mão a mais aqui!" e "Um corpo para Cristo", mas a comemoração do Corpus Christi oferece motivações para que eu realize desta feita, uma análise sobre o provável local do sepulcro do Nazareno. 

Primeiramente, quero esclarecer que, atualmente, são três os lugares em Jerusalém que reivindicam o reconhecimento daquele que seria o local exato do sepultamento de Jesus. O mais antigo e  famoso é o que se encontra na intimidade da Igreja do Santo Sepulcro. Este é conhecido como o túmulo católico de Jesus. A localização do Santo Sepulcro se deu sob as ruínas do templo construído em homenagem à Vênus, quando da reconstrução feita em Jerusalém por ordem do imperador Adriano, no século II.

No século IV, ao se converter ao cristianismo, Helena, mãe do imperador Constantino, recebeu indicações de cristãos e judeus que ali seria o lugar da crucificação e ressurreição, encontrando-se também a suposta catacumba cedida por José de Arimateia para o sepultamento de Jesus. A megalomaníaca Helena acabou com qualquer possibilidade de preservação do material arqueológico, ao mandar construir sobre o local, uma colossal Igreja, como fez também em outras regiões apontadas como cenários do Cristianismo Primitivo.

Além de uma suposta pedra onde o corpo de Jesus teria sido deitado, em outra parte da Igreja, há nichos cavados na rocha que foram usados para abrigar sepulcros judaicos que datam do século I d.C, o que, para alguns estudiosos, são boas evidências arqueológicas que podem dar sustentação ao fato de que Jesus foi enterrado ali. Por outro lado, a geografia do local não é muito coincidente com a da narrativa encontrada no evangelho atribuído a João. Entretanto, a Igreja do Santo Sepulcro recebe milhões de cristãos, incluindo doentes de vária ordem que para lá se dirigem na esperança de serem beneficiados de alguma forma. Ela foi dividida entre cristãos católicos romanos, sírios, gregos ortodoxos, etíopes e armênios.

Sobre a referida pedra que foi usada para a limpeza e preparação do corpo de Jesus, pessoas do mundo inteiro se curvam sobre ela para beijá-la, chorar, fazer orações, e esfregam fotos de pessoas doentes, enfim... todas querem conseguir algo miraculoso através da fé, ou simplesmente desejam participar da terrível história da crucificação do Galileu.

O outro lugar, conhecido como a tumba do jardim, é considerado como o sepulcro protestante de Jesus. Irônico não? Até depois de morto, os cristãos em nome da fé e da salvação se dividem na escolha do local de sua morte. Estive também neste agradável lugar, e após ter feito algumas entrevistas com administradores do local, deu para perceber que nem eles estão convictos de que aquele elevado rochoso teria abrigado o corpo de Jesus. O local é inspirador, e o silêncio, ao contrário da perturbação do Santo Sepulcro, motiva o recolhimento e a oração.

Geograficamente, trata-se de uma colina facilmente encontrada a 260m, saindo  de Jerusalém pelo portão de Damasco, e está  a uma altura de 15m, apresentando buracos nas rochas que trazem características semelhantes as de um crânio. Além disso, apresenta um jardim ao lado dos sepulcros, o que o torna muito parecido com o que é descrito no evangelho de João. O grupo do general britânico, Gordon, que descobriu o lugar, chegou a conclusão de que ali era também um local muito usado para apedrejamento pelos judeus. Posteriormente, em escavações realizadas, encontraram restos de ossos humanos e também pregos romanos, indicando um possível lugar de crucificação durante o período da dominação na Judeia. A tumba do Jardim ou colina do Gólgota por ficar fora dos muros de Jerusalém, recebe mais um crédito para ser aceita como o lugar da sepultura, porém os defensores do sepulcro católico, alegam que apesar da atual Igreja do Santo Sepulcro situar-se dentro da cidade de Jerusalém, na época em que Jesus morreu, aquele sepulcro também ficava fora dos muros da cidade.

O fato do sepultamento ter sido feito fora dos muros de Jerusalém, reflete a tradição judaica que obrigava que aqueles que foram considerados marginais não maculassem o terreno sagrado da cidade. Eis o porquê dos grupos protestantes e católicos defenderem a tese de que ambos os sepulcros estavam fora dos muros da cidade santa.

Em 1980, outra sepultura foi descoberta no bairro de Talpiot, nos arredores de Jerusalém. Em 2006, os estudos arqueológicos em torno dos dez ossuários encontrados em Talpiot, revelaram que eles são realmente do século I, e as inscrições trazem os nomes de Mariamne Mara, que seria Maria Madalena, Miriam, a possível Maria, mãe de Jesus, Yehoshú'a bar Yussef, reconhecido como Jesus filho de José, e os nomes de Yehuda bar Yehoshú'a, ou seja, Judas, filho de Jesus e Matya, que foi traduzido como Mateus. Apesar da empolgação do jornalista judeu, Simcha Jacobovici, que exige para si a descoberta do túmulo de Jesus, os arqueólogos e historiadores de Israel não aceitam estes túmulos como sendo o da família de José. Segundo eles, esses nomes eram comuns em Jerusalém e além do mais a família de Jesus era da Galileia e não há motivos para que suas catacumbas fossem encontradas na Judeia. Vale a pena conferir o documentário A Tumba Perdida de Jesus, lançado em 2007, tendo como produtor o cineasta James Cameron.

Uma outra sepultura que, também, requer o direito de abrigar o corpo de Jesus, não está situada em Jerusalém, mas encontra-se na Índia, na região da Cashemira. Na cidade de Srinagar há um túmulo que guarda os restos mortais de um homem que veio de uma região distante, morreu em idade avançada, e em vida pregava a existência de um Deus único e era afeito à solidão para meditar e orar. Seu nome Yuz Asaf está escrito em uma placa na intimidade da cripta, e alguns veem uma certa semelhança na pronúncia com o nome de Yehoshú'a, em hebraico. A tumba de Yuz Asaf é considerada por curiosos, estudiosos, cristãos e até por muçulmanos como sendo a sepultura  de um homem santo. Neste caso, acreditam que se trata de Jesus.

Esta teoria baseia-se na especulação que foi feita em torno da morte de Jesus, conforme narra o evangelho atribuído a Marcos. Pilatos teria ficado surpreso quando deram a notícia de que Jesus havia morrido no mesmo dia em que fora crucificado, o que contrariava as mortes por crucificação que geralmente, levavam dias até o último suspiro do condenado. Segundo esta corrente de pensamento, Jesus teria sido retirado da cruz ainda com vida e os óleos e bálsamos levados pelas mulheres ao túmulo, seriam na verdade unguentos cicatrizantes e restauradores.

Em verdade, até agora não há provas definitivas acerca do corpo de Jesus. Seu sumiço continua fazendo parte de mais um mistério que envolve a sua história. O que temos são prováveis locais com suas respectivas evidências históricas, e que são relacionadas com as narrativas dos evangelhos. Para os cristãos, ele ascendeu aos céus com corpo e tudo, o que explicaria o desaparecimento de seus restos mortais. Esta crença torna-se mais um problema na fé dos cristãos, pois caso o corpo de Jesus venha a ser encontrado, isto abalará profundamente o Cristianismo, pois ele foi estruturado na morte e na ressurreição de Cristo.

**** Suposta Tumba de Jesus
  *** Foto: Liszt Rangel

5 comentários:

  1. Se o corpo de Jesus for encontrado "isto abalará profundamente o Cristianismo" mesmo assim, é provável que os cristãos continuem acreditando na ascensão e comemorando o Corpus Christi, pois encontrarão um jeito de justificar sua fé, mesmo que seja um absurdo, porque foram educados para isso.

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  2. EU CREIO EM JESUS MESMO QUE ESTE ALGUEM NAO ACREDITE O SR. jesus estar vivo ele estar voltando creia meu irmão e tenha fe.

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  3. Caro Jorge Daniel,
    respeito sua crença, mas por favor não me peça para que eu use de fé cega diante de fatos ou evidências históricas. Sei que muita gente como o senhor crê que Jesus vai voltar, mas o senhor e milhares de pessoas acreditam nisso desde o primeiro século depois da morte de Jesus e ele até agora não voltou. Paulo esperou, morreu e ele não voltou e todos os demais cristãos fanáticos que deram sua vida para no dia do juízo final serem resgatados como zumbis no retorno de Jesus.

    Então, por favor, amigo, não quero atentar contra sua fé, mas lhe imploro que não atente contra minha razão.
    Abraço fraterno!

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    1. Caro Liszt,

      Muitos cientistas conseguiram deixar convicções racionais de lado e creram, muitos eruditos da época de Jesus também creram.
      Eu fico imaginando, por exemplo, por que Nicodemos creu. Jesus não realizou nenhum milagre diante dos olhos de Nicodemos, foi só um diálogo em que o mestre apontou o novo nascimento como necessidade de todo homem.
      Jesus pregou coisas maravilhosas ao alcance de todos os eruditos e sábios, mas pregou ensinos desconcertantes também, como o novo nascimento.
      Era de fato especial.
      Conseguia convencer gente da sua nobre estirpe, a classe privilegiada dos intelectuais. Sabe-se lá como realizava tais milagres.
      Talvez por isso você tenha escrito esse texto, talvez inconscientemente, como Nicodemos, você esteja buscando o seu milagre.
      Paz de Cristo

      jlfregonazzi@gmail.com

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  4. Não, não anonymous,
    sua leitura me desculpe está equivocada.
    Milagres não existem.
    Não há provas da conversa dele com Nicodemos e os registros que existem foram mal interpretados até hoje acerca daquele diálogo, e se é que ele existiu.

    Não vejo tais cientistas se rendendo a estes Jesus milagreiro nem curandeiro... Acho que falta informação em sua assertiva...Tem muita crença aqui...
    E pessoas de conhecimento não precisam de crenças.
    Religiosos precisam, eu não sinto falta disso.
    E tão pouco, preciso de milagres tal qual Nicodemos.
    Não sou cético pra precisar de milagres. Quem precisa de estorinhas de lendas são crianças para ficarem boazinhas e se comportarem...
    Acho que antes de comentar inclusive sobre o que eu preciso como pesquisador, você deveria ler mais ao menos sobre minha obra e se atualizar sobre o que está havendo no mundo...

    É apenas isso que tenho a dizer e desculpe, mas sei que não foi do seu agrado. Sabe por que? Porque justamente, você não conhece meu trabalho, minha forma de pesquisa...
    Agora tem um monte de site aí que fala de anjos, santos, milagres, aqui você não encontrará isso...
    Lamento a decepção!
    Sigamos, apesar de em sentidos opostos, mas sigamos, cada um acha o que procura.
    Abraço sem milagres...bem humano..Pra todo efeito aqui vai meu site para estudos e para aprender a pesarmos e não cremos...
    www.lisztrangel.com.br

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